quarta-feira, dezembro 17, 2003

A teoria do estássecagandismo fácil

ESTOU-ME A CAGAR PARA ISTO! É uma frase muito comum nos dias que correm (principalmente depois de proferida por um certo líder partidário!). Pode parecer feio dizer uma coisa destas, mas quem é que nunca o fez? Ou pelo menos pensou? Veja-se o exemplo dos nossos pais, a chatear-nos o juizo com merdas que não interessam ao menino Jesus, ou a martirizar-nos os ouvidos por causa das notas, quem é que não pensa logo "pois, pois... estás para aí a falar, mas a mim, entra-me por um ouvido e sai pelo outro... estou-me cagando para o que estás a dizer!" E fazemos aquela cara de anjinhos, como se estivessemos mesmo com atenção ao que eles dizem. Sim, porque se nos armamos em rebeldes, ainda é pior o sermão!
Eu podia-me estar cagando para quem lê este blog (actualmente sou o único que o lê, por isso não corro esse risco). Isso é em parte verdade. Estou-me cagando para o que, os que não me conhecem, vão ou não pensar do que aqui está escrito. Só escrevo o que penso, e como não sou daqueles gajos que não fazem certas coisas só porque parece mal para os outros, azar dos que não gostarem! Se gostarem, é bom reconhecerem que até sei escrever umas coisas! Não vou vender 10 milhões de cópias nem ganhar um prémio nobel, mas faz bem ao ego... E Deus sabe como preciso de algo que me faça bem ao ego! Mas não é daí que vem a nossa extrema felicidade!
Estar-se cagando é uma arte! É preciso saber quando e para o quê nos devemos estar cagando! Sim, porque corremos sempre o risco de nos estarmos cagando para algo importante e depois as consequências são imprevisíveis, mas geralmente bastante nefastas! Com o correr da vida, vamos sendo cada vez mais selectivos no estássecagandismo... aprendemos com os erros, é o que é!

Querem um exemplo?

Estreia hoje o Senhor dos Anéis e eu preciso arranjar companhia para ir... A merda disto é que estou mal habituado! Podia-me estar cagando e ir sozinho... mas não gosto! Ver um filme sozinho é como um gajo estar numa sala cheia de gajas boas e elas serem todas fufas. Já viram o que é, um gajo, sozinho, numa sala de cinema cheia de namorados que a cada 2 minutos de põem aos beijinhos? É deprimente! Tenho que arranjar uma gaja para ir comigo... Mas também não pode ser uma gaja qualquer! É uma merda um gajo ser muito exigente! Estamos sempre fodidos quando toca a arranjar companhia feminina para alguma coisa! É claro que posso sempre levar uma amiga... mas não é a mesma coisa! As amigas são sempre elementos inconsequentes nesta matéria! Não se pode levar uma amiga que se conhece há anos e esperar qualquer coisa mais depois do filme...! Está decidido! Vou correr o risco de usar a minha vasta lista de gajas da net! E quanto mais recentes melhor! O problema é que eu não as conheço pessoalmente... Que se lixe! Estou-me a cagar para o facto de me poder calhar um coirão daqueles que mete medo ao susto! Não posso pensar assim... Até agora tenho tido sorte, porque não a hei-de continuar a ter? Agora, características? Bem, como não posso saber se são bonitas ou feias, só me resta escolher uma que tenha alguns neurónios e um bom par de mamas! Quem sabe? Pode ser que ainda acabe por me dar bem! Afinal, eu até me posso estar cagando para muita coisa, mas...gajas? NÃÃÃ!!!!!!

terça-feira, dezembro 16, 2003

Escravidão

Somos todos escravos de alguém ou de alguma coisa. Quanto mais não seja, somos escravos de nós mesmos... Sujeitamos os nossos desejos, as nossas vontades, enfim, a nossa vida, ao caprichos de outros que, sem se aperceberem, a vão modelando de forma indelével e inconsequente. Somos escravos dos amigos, escravos dos pais, escravos dos colegas de trabalho. E não o podemos deixar de o ser! Quem não ansiava libertar-se deste mundo que tresanda a hipocrisia e cinismo? E eu sei do que falo, pois sei ser cínico e hipócrita qb! Quem sobrevive neste mundo sem isso? Não nos tentemos iludir! Está na natureza humana sermos cí­nicos e hipócritas! Devoramos, como um jovem americano obeso que devora sôfregamente um hamburger do macdonalds, as emoções e os sentimentos dos outros, tornando-os também nossos escravos.
Imaginemos que podiamos estar sozinhos numa qualquer ilha distante, com tudo o que precisamos ao nosso alcance... Continuariamos escravos. Dos outros? Não. Da nossa própria vontade! Temos a escravizante necessidade de sermos escravos de alguém e de que alguém ser nosso escravo. De termos tudo aquilo que queremos e não temos! Da nossa necessidade de partilhar com os outros os factos da nossa vida. Eu sinto-me na merda e preciso de partilhar isso! Mas com quem? Eu vivo nessa ilha de desejos frustrados e ilusões desvanecidas! Sem ninguém para me confortar nesta dor e me atenuar o sofrimento na medida em que necessito... Tenho algumas pessoas a quem posso chamar de verdadeiros amigos, daqueles que eu sei que se precisar desabafar, me vão atender o telemóvel ou levarem-me daqui para estarem comigo, enquanto eu, num chorrilho desenfreado, descorro todas as agruras da minha miserável existência. Pobres escravos! Gente que eu acorrentei a mim para que não fujam! Mas sei que esses momentos são efémeros!
Logo volto à minha solidão!
Os amigos que julgava ter para além destes? Aqueles que quando estão mal nos procuram para desabafarem todas as merdas que lhes aconteceram e nós ficamos ali, com aquela cara de "Oh que coitadinho!", mas a pensar "Foda-se que o gajo ou é parvo ou pensa que eu sou a madre teresa" e que estão sempre à espera que demos mil e um conselhos "Faz isto", "Faz aquilo", "Fizeste merda". Que importa a essas pessoas o que lhes dizemos? Vão acabar por fazer aquilo que lhes vai na tola. Quem lhes dá o direito de julgarem que sequer nos preocupamos com o que se passou? Onde estão eles quando um gajo precisa de alguma coisa? Andam todos muito ocupados!
Eu não quero ficar sozinho aqui nesta ilha! Como vim aqui parar? É uma longa história... Anos e anos de uma amarga forma de vida, de uma timidez incontrolada. Um verdadeiro bloqueio a toda e qualquer chance de relacionamento mais profundo para além daquela corriqueira escravidão a que chamamos amizade. Não me importo de ser escravo de alguém. Nunca me importei... Aliás, eu quero ser escravo de alguém! Quero uma escravidão chamada AMOR! Uma escravidão a dois! Só ela poderá fazer a ponte entre esta ilha para onde me desterrei e o mundo real! Preciso dela sob pena de me tornar um ser amorfo, completamente isolado. Preciso dela para manter o que resta da minha sanidade mental! Estou à beira da loucura e isso desespera-me ainda mais. QUERO SAIR DAQUI!