Podia-vos pedir desculpa pela minha demorada ausência, mas também, um dos privilégios de ser autor de um blog é não ter que prestar contas a ninguém, excepto a mim mesmo...
Acho que uma das Leis de Murphy postula que se alguma coisa tem uma possibilidade, ainda que ínfima de correr mal, ela efectivamente vai correr mal. Quando uma coisa começa a correr mal, não há outras que lhe queiram ficar atrás! E se a causa de todo este tumulto é uma mulher, ainda as coisas se tornam mais difíceis.
É neste momento que uma mudança de prioridades se torna mais adequada. Geralmente o trabalho é o escape mais proveitoso porque ao dirigirmos para ele grande parte das nossas energias, conseguimos uma maior rentabilização. E se para além disso o trabalho for realizado num ambiente saudável, rodeado de colegas (femininas) simpáticas, bonitas e inteligentes, e de colegas (masculinos) espirituosos, companheiros e cúmplices, a coisa torna-se bem mais fácil.
Não se pode, mesmo com todas estas atenuantes, apagar um pedaço da nossa memória de um momento para o outro. Há que tentar criar novas memórias e fazê-las difundir para o local das outras, substituindo a sua maior parte. Isso é que se torna mais complicado.
A busca incessável dos homens (verdadeira caça aos gambuzinos) por uma mulher com quem partilhar a vida (ou pelo menos parte dela) torna-se neste momento uma descoberta constante. Uma busca também de si mesmo, de coisas há muito perdidas ou escondidas no fundo de gavetas da nossa personalidade. Finalmente abrimos os olhos e começamos, qual Vasco da Gama, a descobrir o mundo em nossa volta e que durante tanto tempo nos esteve vedado, não por qualquer proibição alheia, mas sim por uma auto-constrição que nos fez centrar numa só pessoa. Enfim, o gatinho fugidio torna-se um audaz tigre.
Qual o sentido de ficar parado à espera que o destino se encarregue de nos trazer alguém que possa ocupar esse lugar? Quanto mais tempo mantermos o lugar vago, mais ansiosa se torna a busca e mais riscos corremos de acabar com alguém apenas por medo de ficarmos sozinhos. A solução também não é entrarmos de olhos fechados numa nova relação apenas para “tapar o buraco”. É claro que o fornicanço ocasional é uma prática corrente, mas não acho que um relacionamento estável se possa basear apenas nisso (ou será que pode?). Há que saber procurar, indagar da disponibilidade, despertar o interesse e saber mostrar-nos como somos, sem subterfúgios. Há que ter a esperança de que pelo menos uma mulher nesta santa terrinha esteja interessada em nós! E que mais cedo ou mais tarde havemos de a encontrar!
Termino com uma frase que, englobada neste espírito de empatia, demostra uma profunda esperança no futuro: “Se ainda não encontraste a pessoa certa, continua a curtir com a errada.”!
segunda-feira, março 22, 2004
segunda-feira, março 08, 2004
Adeus
Paramos no cimo da ponte. A vista é fenomenal! Ao longe o sol vai descendo por trás das montanhas, enorme e vermelho-vivo, cor de fogo. Mais abaixo vemos o rio, serpenteando e correndo rapidamente por entre as rochas. A paisagem inspira-me e sinto-me bem. Queria partilhar este momento contigo para o resto da vida. Mas tu não estás para aí virada. Não te queres prender a mim como eu pretendo. Gracejo que se não ficas comigo me atiro da ponte... Tu dizes para me deixar de parvoíces. Salto para o bordo da ponte, apenas seguro por uma mão. Começas a ficar aflita. Pedes que volte para o tabuleiro. Penso que finalmente viste que sem mim não consegues viver. Volto para trás. Também não saltava... Tenho medo de ficar longe de ti, de me afastar e depois não te conseguir recuperar, se é que alguma vez te tive! Abraço-me a ti. Tento-te beijar, mas viras a cara. Como estava enganado. Apenas querias que voltasse porque te dá jeito um escravo particular; alguém que por te amar tanto te faz as vontades todas e nem reclama quando o afastas. Apenas me pediste para voltar porque achas que não ficas bem de preto e por isso não te apetece vestir assim por teres de ir ao meu funeral! Estou farto! Farto desta vida de merda, de me sujeitar a tudo o que queres e de dizer que sim a todas as tuas barbaridades. De fingir que acho graça às tuas piadas, de suportar o teu mau feitio e a tua mania de que todos são injustos para contigo! Afasto-te. Chega! Tentas-me agarrar mas eu não te deixo. Adeus! Começo a correr para o bordo da ponte. Num movimento perfeito apoio o pé no limite e salto. Ao mesmo tempo que dou o último impulso olho para baixo. O rio corre lá em baixo, longe, com um estranho brilho vermelho do sol, vermelho de sangue. Toda a minha vida contigo descorre-me rapidamente pela cabeça. Todos os bons momentos que vivemos juntos. Amava-te tanto! Mas depois começo a ver no que a minha vida se estava a tornar. Tinha-me tornado em mais uma figura desse jogo que tanto adoras. Mais um boneco que controlavas à tua vontade. Isso estava-me a deixar à beira da loucura! Prefiro morrer a tornar-me num autómato! Quando já estou em queda livre, começo-me a sentir leve, mais leve que nunca. Será que morri e não me apercebi disso? Terei sofrido um ataque cardíaco? Não. Apenas tirei um grande peso da consciência. Sinto-me como um passarinho que fugiu da gaiola e agora voa livre pelos céus. Vejo-te em cima da ponte, num misto de raiva e desespero, sentindo que me perdeste e que provavelmente não me voltarás a recuperar. Será que alguma vez te apercebeste que o teu futuro estava ali, naquele pobre mortal que te tratava como uma deusa? Não creio. Haverá vezes em que sentirei falta dos teus carinhos, de estar contigo, de tudo o que partilhámos? Claro que sim, mas o tempo ajudar-me-à a esquecer, penso eu enquanto flutuo para longe, bem longe... Será que me voltarão a prender?
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